terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Reticências.



Eu tenho medo de confessar que já não me imagino voltando da escola sozinha ou sentada no colo dele enquanto assustamos sua mãe com a idéia de vivermos em um barracão em meio a favela. Na realidade, não quero imaginar, não quero pensar nisso. De certo modo, ele tem trazido luz aos meus dias, esquenta com o calor do seu corpo as noites frias dos meus sonhos. Não quero pensar em dormir de conchinha com outro. Eu sei que isso pode mudar algum dia, sei de todos os problemas e pormenores que as pessoas ameaçam ou pensam assim que vêem um relacionamento sério. Eu o quero pra mim, nu ou vestido, rico ou pobre, afim de que todas as quedas nos levantemos com a força do outro, afim de que em todas as batalhas, vençamos juntos. Não, eu não quero amores perfeitos ou viver em castelos e passar o dia todo colhendo flores e correndo com crianças, embora eu adoraria levar uma vida assim. Se algum dia ele partir, quando eu já não o fazer feliz, vou estar bem por tê-lo feito feliz enquanto ficamos juntos. "Deixa te dizer o quanto te quero bem"...

Ter ele presente em minha vida, torna a idéia de continuar com essa existência, menos trágica, mais suportável pra mim, afinal, pela primeira vez depois de muitos anos, eu já não sinto tanto aquela sensação de solidão que sufoca, que consome.